sábado, 26 de setembro de 2009
"you tube" para quem não pode enxergar
A grande sacada do BlindTube é a inserção do recurso da audiodescrição como forma de "visualização" dos vídeos para aqueles que não o podem fazer de forma convencional. No BlindTube, basta clicar nos filmes para, além do áudio dos atores,o usuário ter acesso a uma descrição das cenas, num trabalho de incentivo à imaginação de quem não pode enxergar os filmes. Mesmo sem o som das conversas, dá para saber o que acontece e, aí sim, apreender o contexto da história.
A audiodescrição aproveita silêncios e lacunas dos diálogos para que o narrador descreva o ambiente, o que acontece na cena, ou seja, tudo que é visual mas que só pelo diálogo não é possível compreender, explica a produtora Lara pozzobon, uma das criadoras do BlindTube.
Por falta de patrocínio, o site está em versão experimental, mas já oferece gratuitamente oito filmes com audiodescrição. A idéia é publicar um novo a cada 15 dias.
Segundo Lara, há no Brasil um público de 18 milhões de pessoas à margem do universo multimídia. São cidadãos com graus de deficiência visual variado - de cegos"totais", passando por todas as divisões "subnormais", a usuários com baixa visão.
Construímos o site de forma que ele possa ser acessado pelo teclado. Assim quem tem paralisia cerebral, é tetraplégico ou tenha alguma espécie de limitação motora pode acessá-lo diz Lara.
Dentre os filmes disponíveis está o curta-metragem "Cão Guia, de 1999", o mascote do site. Ele foi um dos primeiros no país a usar a audiodescrição.
http://www.blindtube.com.br/index.asp
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
ONG encontra solução para lixo eletrônico
O lixo eletrônico está se tornando um grande problema ambiental. Computadores e celulares com menos de uma década de uso vão para o lixo. Mas nesta empresa, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, o destino dos aparelhos velhos é outro. Os 1,6 mil empregados são transformaram em incentivadores do projeto, que doa os equipamentos antigos para uma ONG de Petrópolis, região serrana do Rio. Em um ano, 600 kg de lixo eletrônico da empresa foram reaproveitados. Aparelhos, equipamentos ou pequenas peças que iriam para o lixo viram ferramentas de aprendizagem e já mudaram a vida de muitas pessoas. Máquinas de supermercado antigas, por exemplo, ajudam a formação de novos caixas. Só com esse trabalho isolado da ONG, durante de três anos, mais de quarenta toneladas de lixo eletrônico deixaram de ser jogadas em aterros sanitários e depósitos. Especialistas dizem que esse tipo de lixo aumenta 20% a cada ano.
Fonte:Da Redação, com infomações do Jornal da Bandcidades@eband.com.br
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Comentário:
Prezados amigos:
Já estou tentando descobrir o nome e o local desta ONG mencionada,assim como espaços em outros Estados.Agradeço se alguém tiver informações sobre reciclagem de lixo eletrônico na região onde mora,para informamos por aqui.
Há um blog muito legal e altamente educativo que descobri.Meu conterrâneo Pedro Pomim,faz um trabalho muito bacana de conscientização ambiental no link:http://pedropominensinareciclar.blogspot.com/
Alguns temas abordados por lá:
1.Reciclagem;
2.Poluição;
3.Meio Ambiente;
4.Sacos plásticos;
5.Garrafas Pet;
6.Lixo,entre outros.
Vale muito dar uma olhada
Um grande beijo a todos
Gabi
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Anencefalia - Até quando vamos deixar este assunto para "depois"?
Campanha pró-aborto de feto sem cérebro pressiona STF a decidir este ano.LEIA AQUI!
Anencefalia: apóie ou não a campanha e assine ou não, a petição.LEIA AQUI!
Agustina Bessa-Luís
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Seguindo.....
Hoje descobri mais espaços bacanas....Prof.Nelson - http://fatoseangulosbloginfo.blogspot.com/
e
http://fatoseangulosblogeducacao.blogspot.com/
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Comentário amigo...
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Comentário:Maravilhoso.Beijos!!!!
Gabriela
William Shakespeare
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
Lixo Eletrônico:A reciclagem de computadores

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o lixo eletrônico é “qualquer dispositivo que utilize um fornecimento de energia elétrica, que tenha atingido o fim de sua vida útil”. Mas determinar o fim da vida útil de um produto como um computador é uma questão bastante controversa. Quando chega a hora de desfazer-se desse aparelho que em algum momento foi o ápice da tecnologia? Quando já não funciona mais? Quando se consegue comprar um melhor para substituí-lo?
Impressoras, monitores, discos rígidos, teclados e CPUs são alguns dos elementos que, uma vez descartados por seus donos, passam a ter rótulo de lixo informático. A cada ano que passa, o volume desse tipo de lixo cresce exponencialmente, junto com seus níveis de produção e consumo. Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada ano são geradas no mundo cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico.
O lixo eletrônico é altamente contaminante para o meio ambiente e representa um problema que precisa de uma solução urgente. Os computadores contêm substâncias extremamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana - como alumínio, arsênio, cádmio, bário, chumbo, mercúrio, cromo, níquel, zinco e prata. Uma boa introdução ao tema é a versão curta (disponível online) de “Citizens at Risk”, um documentário sobre as condições subumanas em que é processado o lixo eletrônico nas proximidades de Delhi, na Índia.
As maiores geradoras de lixo informático são as organizações em geral, públicas e privadas. Os governos têm um peso importante na produção de lixo eletrônico, que se viu aliviado nos últimos anos pela implementação de alguns programas estatais de reciclagem e recondicionamento de computadores. Mas atenção: os pequenos consumidores juntos produzem uma quantidade nada desprezível de resíduos informáticos.
Embora o lixo informático represente só entre 7 e 12% do volume total dos resíduos dos aparelhos elétricos e eletrônicos (RAEE), resulta crucial entender o marco jurídico e político onde estes últimos se movem, já que provavelmente deverá ser dentro desse mesmo marco que os resíduos informáticos serão formalmente tratados.
Em seu texto “O lixo eletrônico e a ilusão da obsolescência”, o pesquisador Felipe Fonseca convida a que se proponha uma interessante e estratégica pergunta: que é o lixo eletrônico? Isto é, quem determina o que é - ou não é - lixo eletrônico? Observando-se o dado de que cerca de 94% dos materiais usados nas máquinas são recuperáveis, estas perguntas parecem mais do que necessárias e oportunas.
Fonseca integra a rede MetaReciclagem, uma rede que trabalha a favor da desconstrução do hardware, o uso de licenças abertas e a busca por transformação social. Como conhecedor do tema, Fonseca explica que o problema do lixo eletrônico começa basicamente com a produção e o consumo: “com o auxílio da mídia especializada, a indústria de eletroeletrônicos se esforça para criar a ilusão de obsolescência – convencer as pessoas de que precisam trocar seus computadores, celulares, câmeras e outros equipamentos em períodos cada vez mais curtos. Além disso, a indústria também adota práticas predatórias no processo produtivo – mão de obra precária, uso de matérias-primas extraídas sem levar em conta os impactos social e ambiental, entre outras. Por outro lado, as pessoas comuns, que em última instância têm a grande possibilidade de mudança desse cenário – é delas o poder de compra – ignoram a gravidade da situação e continuam acelerando o ritmo de consumo, sem pensar no que acontece com seus equipamentos daqui a poucos anos.”
O blog lixoeletronico.org tem como objetivo informar sobre questões relacionadas ao lixo eletrônico no Brasil e no mundo, partindo do estudo “Resíduos eletroeletrônicos no Brasil” realizado em 2007 por pesquisadores brasileiros em conjunto com a ONG Waste.nl, da Holanda.
Este estudo contribui com valorosas informações à discussão sobre o lixo eletrônico num país que é - nada mais, nada menos - o quarto maior mercado de computadores pessoais do mundo. Você sabia que uma cidade como São Paulo produz em média 1 kg por dia de lixo eletrônico por habitante? Ou que dos 5.507 municípios brasileiros, somente 192 realizam uma coleta seletiva?
Em uma entrevista coletiva, os membros da equipe do lixoeletronico.org afirmam que a América do Sul apresenta uma peculiaridade no tema do lixo eletrônico. “Por um lado produzimos uma grande quantidade de resíduos eletrônicos como em países desenvolvidos, mas ainda que não se veja claramente o fenômeno da mineração urbana como na Ásia e na África, nossas políticas públicas em relação aos resíduos sólidos e à responsabilidade do produtor ainda estão muito atrás da legislação correspondente dos Estados Unidos e da União Européia.”
A mineração urbana é o processo de recuperação dos metais preciosos presentes no lixo eletrônico, entre eles ouro, cobre, paládio e platina, através da desmontagem, separação e incineração das peças. Trata-se de uma atividade sumamente rentável, mas que lamentavelmente não é muito controlada, apesar de ser um trabalho de alto risco. Na China, a clandestinidade, a falta de controle e segurança neste campo é notória, enquanto que o Japão apresenta um sistema organizado que demonstra que é possível compatibilizar rentabilidade econômica com segurança para os empregados e cuidados para com o meio ambiente.
Porém, que setores possuem algum tipo de responsabilidade em matéria de resíduos informáticos? Quais responsabilidades?
O setor privado toma parte na matéria através da indústria de equipamentos e a indústria de reciclagem. Enquanto a primeira deveria assegurar uma correta gestão dos resíduos informáticos que produz, a segunda leva adiante as diferentes fases do processo de reciclagem como o recolhimento, armazenamento, desmontagem, disposição final dos resíduos tóxicos e recuperação dos componentes.
A indústria latinoamericana de reciclagem propriamente dita supõe basicamente a desmontagem profissional, a venda dos metais e plásticos extraídos no mercado local e a comercialização no exterior com empresas especializadas em recuperação de metais preciosos. Para que haja ganho neste processo, é necessário um volume importante que supere o custo da transferência.
O Estado, por sua vez, tem responsabilidades quanto à regulação e monitoramento do processo de reciclagem, além do dever de educar sobre a importância dos 3R (reduzir, reutilizar, reciclar). Uma ação governamental inteligente, por exemplo, seria o outorgamento de subsídios para financiar o tratamento daqueles elementos contaminantes não negociáveis.
É possível constatar que, quanto mais se pesquisa sobre reciclagem e recondicionamento de computadores, cada vez mais a responsabilidade surge como uma peça chave. A responsabilidade parece ser o nó que une os diversos atores exigindo seu compromisso para enfrentar o problema do lixo informático.
Vidas de gato
Os equipamentos em desuso podem percorrer os seguintes circuitos: armazenamento transitório (em lares e em empresas), reutilização e recondicionamento comercial (em mãos de serviços técnicos e montadores de computadores), recondicionamento social (realizado por organizações comunitárias), reciclagem de computadores com tratamento de resíduos (realizado por empresas especializadas como Silkers S.A na Argentina ou Recycla no Chile) e, finalmente, os materiais atirados nas lixeiras sem tratamento algum.
Um dos grandes desafios está no descarte final daquilo que já não tem como ser reaproveitado. Como tratar esse resíduo? Onde dispensá-lo ou o que fazer com ele? Existem projetos sociais que encaram esta instância do ciclo de reciclagem, dando novo significando aos elementos descartados e transformando-os em, por exemplo, peças de arte. Robótica Livre ou Metareciclagem são experiências que exemplificam esse tema. Porém, dado que a presente investigação se concentrará naquela porção do denominado lixo eletrônico que se pode reciclar e recuperar, não nos aprofundaremos neste aspecto.
A reciclagem se entende como a ação de voltar a introduzir no ciclo de produção e consumo materiais obtidos de resíduos. Quando se recicla um computador, suas partes ou as matérias primas de suas partes são reutilizadas na fabricação ou montagem de novos produtos.
O mercado de reciclagem cresce mais a cada dia. Porém, na maioria dos países da América Latina se trata de mercados que apresentam uma grande informalidade. Como explica Fonseca, o Brasil é um destes. A principal razão da informalidade do mercado no caso brasileiro – bem como na grande maioria - está numa questão legal. O Congresso brasileiro ainda não aprovou a política de resíduos sólidos que recebe múltiplos elogios no mundo inteiro, já que responsabiliza os fabricantes pelo manejo dos refugos antes de sua disposição final.
O recondicionamento de computadores, entendido como uma forma de reciclagem, é o processo técnico de reestabelecimento das condições funcionais e estéticas de uma máquina. Através do recondicionamento, o equipamento dá começo a um novo ciclo de vida (já que o resultado final é comparável ao de um computador novo).
A reciclagem de computadores, bem como o recondicionamento, são considerados na presente investigação como saídas estratégicas ante o problema do lixo informático, saídas que redundam em benefícios sociais, educativos e ambientais.
A maioria dos projetos de recondicionamento de computadores na América Latina pode dividir-se em duas grandes categorias: por um lado, projetos de educação formal, impulsionados por governos, com um tipo de recondicionamento profissional e com um público destinatário, geralmente infantil; por outro lado, projetos de organizações sociais, impulsionados de forma autônoma, com um tipo de recondicionamento artesanal e com um público destinatário mais variado.
Estes últimos, embora escassos, são exemplo de como é possível pôr em marcha soluções efetivas. “As organizações não governamentais aparecem como atores relevantes nisto, mas são muito poucas e o problema é que aparecem como importantes porque não há atores estatais relevantes”, destaca Héctor González, coordenador do Subprograma Gestão Integral de Resíduos Sólidos Urbanos do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina. “Também é necessário ter vontade política para isso, porque os fundos não são suficientes”, agrega.
Entre os projetos sociais de transferência de equipamentos mais destacados nos países industrializados e que funcionaram como modelo em iniciativas latinoamericanas encontramos o caso da Computer Aid International ou World Computer Exchange nos Estados Unidos.
A Electronics Take Back Coalition é um claro exemplo de ações não governamentais que promovem a reciclagem responsável por parte da indústria eletrônica.
Mais perto, a Plataforma de Resíduos Eletrônicos do PC na América Latina e Caribe, é um projeto sem fins lucrativos que articula iniciativas que promovam soluções para a prevenção, a gestão e o tratamento final dos resíduos eletrônicos gerados pelos computadores na região.
Executado por Sur-Corporación do Chile, não é casual que seu Comitê esteja integrado por representantes de Computadores para Educar da Colômbia, da Fundação Equidade da Argentina e do Centro Regional do Convênio da Basiléia para a América do Sul, todos espaços e iniciativas exemplares no manejo do tema e consultados na presente investigação. Especificamente sobre a Fundação Equidade se publicará em breve uma entrevista realizada com Carolina Aniño, diretora executiva e Oscar Zúccolo, da Escola Taller Equidad.
A organização Nodo Tau de Rosario, Argentina, é outro exemplo de trabalho no recondicionamento de computadores. Já recondicionaram mais de 100 equipamentos, que foram doados a diferentes telecentros comunitários de informática e organizações sociais, fornecendo também apoio técnico em seu uso e manutenção.
“Um problema que se está vendo agora é o da troca dos monitores clássicos (CRT) pelos de plasma. Isso está gerando uma quantidade de monitores obsoletos, que não é que não funcionem, mas consomem bem mais do que os de plasma e é muito oneroso processá-los para reciclar as partes”, destaca Eduardo Rodriguez, responsável pelo Banco de Máquinas da Nodo Tau. “Com este panorama, haverá montanhas de monitores nos depósitos de lixo”, adverte.
Segundo alguns especialistas, os projetos sociais de reciclagem e recondicionamento de computadores ainda estão longe de ser perfeitos, e há alguns requisitos que deveriam cumprir para atingir um melhor desempenho: profissionalizar-se seria um primeiro passo, atingir maior associatividade e ter acesso a subvenções que apontem à sustentabilidade do modelo seriam outros.
Falou-se nestes últimos parágrafos do trabalho das organizações sociais, porém o que ocorre com o Estado neste palco? Se tem responsabilidades, seja de regulação ou educativas, entre muitas outras, cabe perguntar quem regula o compromisso do Estado? O Estado limita ou favorece a reciclagem de computadores? Como se visualiza da perspectiva do Estado esta problemática que, à primeira vista, parece técnica - mas na verdade é política? Existem experiências estatais de reciclagem de computadores que possam ser consideradas dignas de replicação? O próximo capítulo abordará, entre muitas outras, essas perguntas, colocando em foco a faceta política multinacional da problemática da reciclagem de computadores.
“O projeto que deu origem a este trabalho foi ganhador da Bolsa AVINA de Investigação Jornalística. Os conceitos, opiniões e outros aspectos do conteúdo da investigação são responsabilidade exclusiva do autor e/ou meio”.
*Fonte: Revista do Terceiro Setor, por Flavia Fascendini, com a colaboração de Maria Cruz Ciarniello
sábado, 19 de setembro de 2009
Cartão Vermelho...

A LEI DE TALIÃO AINDA SOBREVIVE PARA O AUTOR DO CRIME DE ESTUPRO.
Dentro de um País em que se vive o Estado Democrático de Direito para todos, inclusive para o cidadão que se encontra preso sob a responsabilidade do Estado, aparece a figura do estuprador sendo vítima de crime idêntico no seu encarceramento, desmistificando assim, os seus direitos estabelecidos na Constituição Federal e sentido o peso da antiga Lei de Talião para consigo.
Conhece-se como Talião o antigo sistema de penas pelo qual o autor de um delito devia sofrer castigo igual ao dano por ele causado.
Os primeiros indícios de existência da Lei de Talião foram encontrados no Código de Hamurabi, em 1780 a. C. no reino da Babilônia.
Esse sistema vigorou em muitas legislações remotas. A máxima OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE fora vivenciada por muito tempo em quase todas as Leis das diversas Nações. A pena de Talião foi praticada de forma mais abrangente e comumente na Idade Média.
A Lei de Talião, embora absurda e abominável aos olhos atuais, era uma necessidade preeminente daquela época em que o homem era bárbaro, época em que o homem tinha pouca ou nenhuma consciência do que era o respeito ao seu semelhante, e que só era contido pelo medo dos castigos, tão ou mais cruéis do que o próprio ato praticado.
A Lei de Talião era interpretada não só como um Direito, mas até como uma exigência social de vingança em favor da honra pessoal, familiar ou tribal.
A história mostra exemplos de sistemas arbitrários, violentos e desumanos, como os sistemas feudais e monárquicos europeus, nos quais a crueldade era legalizada em contrapartida a determinados atos considerados insanos.
O Brasil colônia de Portugal, assim como tal, também se adaptou e se amoldou de certa forma à própria Lei de Talião com aplicação de penas pertinentes abusivas e desumanas.
As chamadas “Ordenações do Reino” que compunham as Leis Manuelinas, Afonsinas e Filipinas, formavam a base do sistema penal português, que por sua vez também vigorava no Brasil. Entre as penas estavam a morte, a mutilação através do corte de membros, o degredo, o tormento, a prisão, o açoite e a multa. O homem que praticasse determinados crimes sexuais poderia ser condenado à castração ou ao corte do seu membro viril. Até mesmo depois da sua Independência de Portugal, o Brasil continuou adotando penas não menos violentas na sua organização penal.
A Revolução francesa, em 1789, onde prevaleceu a trina filosófica liberdade, igualdade e fraternidade, influenciou a maioria dos Países para novos tempos. O mundo que vivia sob a égide de governos tiranos e ditatoriais sofreu uma mudança de mentalidade, daí foram nascendo, crescendo, florescendo e frutificando as idéias democráticas.
Com a evolução das eras nasceu a idéia do Estado Democrático de Direito, ou seja, um regime em que todos são iguais perante a Lei, tanto o Estado quanto o cidadão está sob o império da Lei.
A pena de Talião e outras cruéis desapareceram nas legislações modernas na quase totalidade dos Países, sob a influência de novas doutrinas e novas tendências humanas relacionadas com o Direito Penal.
A segunda Grande Guerra que mostrou para o mundo os horrores do Holocausto comandados pelas autoridades Nazistas e a insanidade das explosões atômicas perpetradas pelos Estados Unidos contra o povo do Japão, urgiu mudanças radicais para o respeito dos direitos humanos.
Pouco mais de dois meses após o final da Guerra, mais de perto, em 24 de outubro de 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a existir oficialmente. Fundada então por 51 países, entre eles o Brasil, a ONU, tinha na sua essência a luta pelos direitos humanos, o respeito à autodeterminação dos povos e a solidariedade internacional.
A Assembléia Geral da ONU logo tratou de constituir a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O chamado Documento da Humanidade que tomou por base os ideais da Revolução Francesa ocorrida cerca de dois séculos antes, foi aprovado em 10 de dezembro de 1948.
A Declaração trouxe no seu bojo o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que para cada indivíduo e cada órgão da sociedade houvesse a interação através do ensino e da educação, por promover o respeito aos direitos e liberdades do ser humano.
A partir de então os Estados Membros da ONU assumiram o compromisso de adotar os preceitos estabelecidos naquele documento em suas próprias Leis, não em forma de imposição, e sim, em forma de espontaneidade e aceitação do proposto para a melhoria de todos.
A Constituição brasileira de 1946 foi notadamente um avanço da democracia e das liberdades individuais do cidadão. A partir de então todos os brasileiros passaram a se amoldar à nova realidade, ao chamado Estado Novo.
Entretanto, no seu período adaptativo do Estado Novo e da premissa do Documento da Humanidade tão aplaudido e seguido pelos povos de outras nações, o Brasil logo se desmistificou e caiu em contrariedade à Declaração Universal dos Direitos do Homem com o Golpe Militar de 1964.
No chamado “período de chumbo” que perdurou por cerca de duas décadas, os brasileiros tiveram os seus direitos totalmente desrespeitados até mesmo pelo próprio Estado que se denominou repressão ditatorial.
Com a Constituição de 1988, houve a consolidação da cidadania que tinha sido proposta há 40 anos antes dessa data, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Assim, a Carta Magna trouxe no seu bojo a consagração dos Direitos Humanos. Houve a preocupação primordial do Constituinte com o cidadão, assegurando-o, a inviolabilidade do seu direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Em decorrência desses aplaudidos preceitos a nossa Lei Suprema arrebanhou o título de Constituição Cidadã.
O art. 5º da Constituição Federal que estabelece a igualdade de todos perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, especifica também os Direitos do preso e do processado através dos seus itens:
XVLIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado.
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
A Lei de Execução Penal estabelece os outros princípios inerentes ao preso a serem observados pelas Autoridades constituídas.
Apesar do lapso de tempo decorrente do vigor da atual Constituição, o Estado Nação e os Estados Membros ainda não conseguiram concluir tais preceitos relacionados a esses direitos à contento, principalmente no que tange à questão dos estabelecimentos prisionais distintos de acordo com a natureza do delito de cada apenado ou processado.
Com o vertiginoso aumento da criminalidade em todos os Estados do País os presídios estão cada vez mais cheios, superlotados, fazendo com que as Delegacias de Polícia que não tem essa atribuição, também custodiem detentos diversos sem as mínimas condições físicas ou adequadas para comportar por vezes mais de 12 indivíduos numa pequena cela que seria destinada para dois ou três presos provisórios.
Por falta de Cadeias ou Presídios adequados e por falta de espaço físico todos os presos moram no mesmo pavilhão, na mesma ala ou na mesma cela, independente da natureza do seu delito, e por vezes, independente de ser condenado ou processado. A mídia, de quando em vez mostra as condições miseráveis em que vivem os detentos na grande maioria das Unidades Prisionais do Brasil, e fala também dessa questão do estuprador quando da sua permanência em cárcere que já se tornou pública e notória sua condição.
Assim também, o autor do crime de estupro, o estuprador, mesmo antes de ser julgado, mesmo antes de ser condenado, mesmo antes de ser considerado culpado, mesmo antes do trânsito em julgado da sua sentença condenatória, no calor dos fatos, no trâmite do seu processo, às vezes até em fase de Inquérito Policial, por falta de opção e adequação, é colocado em meio a criminosos diversos, e em conseqüência, pela praxe antiga ou prática usual dos presos quanto a esse tipo de delinqüente, é molestado sexualmente, é usado sexualmente à força, é estuprado na verdadeira expressão da palavra (de acordo com a nova concepção do crime de estupro), configurando assim a pena de Talião dentro do Estado Democrático de Direito, por falha absoluta do Estado-Custódia.
Para o acusado do crime de estupro que ainda responde a processo e que na verdade é inocente, resta-lhe o trauma eterno e a revolta interminável de uma injustiça sem fim.
Para o acusado do crime de estupro que realmente é culpado, resta-lhe o conformismo de aceitar a condenação de duas penas distintas decorrentes do seu ato criminoso.
Para os estupradores do suposto estuprador, resta-lhes a “glória”, o “respeito”, o “aplauso” dos seus colegas de infortúnio, da população carcerária e também de boa parte do nosso povo que assim entende Justiça feita.
Esses delinqüentes que praticam tal delito idêntico ou pior em nome da Lei de Talião, quase sempre ou nunca responderão a processos ou serão condenados, principalmente por falta absoluta de provas testemunhais, vez que, dentro dos cárceres impera a Lei do silencio sob pena capital ao seu delator, ademais, as próprias vítimas preferem calar-se ao risco de morte certa pela comunidade carcerária em caso exigir providencias das Autoridades constituídas.
Assim, os carrascos de Talião que na verdade cometem o crime de estupro contra os estupradores, e que podem estar condenados a pagar penas inferiores por prática de outros ilícitos, saem ilesos do novo delito e sentem-se os verdadeiros paladinos da Justiça de Talião.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Václav Havel
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Acabo de conhecer mais um espaço que relata as mazelas do professor no Estado do Rio de Janeiro.
aBALA, mas não imobiliza
Diário de um professor que ama sua profissão e apanha do seu patrão (Gov. do Rio de Janeiro)
link:http://www.professorciro.blogspot.com/
O blog - Geografias Suburbanas - faz a pergunta:
Desigualdade social é um tema frequente, seja nas abordagens diretas ou em abordagens em que o tema aparece de forma transversal. Ao trabalhar esse tema, gosto muito de fazer uma pesquisa de opinião com os alunos. O resultado é quase sempre uma polêmica frutífera, salutar, que favorece à troca de ideias.
A primeira pergunta que faço é se eles concordam que a parcela formada por 1% dos brasileiros de maior renda mensal representa uma elite em nossa sociedade. Poucos discordam. São os 1% mais ricos do Brasil. Diante dos 99% restantes, eles formam uma elite. Essa é a convicção dos alunos.
Depois informo que o IBGE fez, no Censo Demográfico de 2000, um cálculo que estabeleceu a renda mensal mínima para um indivíduo figurar no grupo de 1% dos brasileiros de maior salário/renda.
Pergunto o quanto eles acham que ganhavam por mês esses brasileiros que faziam parte do grupo mais rico, no ano de 2000. Aproveito o ensejo para explicar ou relembrar os conceitos de inflação e salário mínimo enquanto eles refletem e tomam sua posição.
Para ajudar, forneço o dado de que a população brasileira calculada por aquele Censo foi de aproximadamente 180 milhões de habitantes, ou seja, os 1% mais ricos do país seriam, aproximadamente, 1,8 milhões de brasileiros.
Eles refletem e emitem suas opiniões. Começa a polêmica. Eles debatem entre si, argumentam, num processo que eu controlo de perto para que não desande para a ridicularização da opinião alheia ou a agressão verbal, tamanha é a paixão que o tema desperta.
Nessa semana, tive a oportunidade de repetir essa pesquisa em duas turmas. As opiniões variaram entre cinco mil reais e cinco milhões de reais.
Se cinco milhões parece-lhe muito exagerado (adolescentes são exagerados) saiba-se, então, que a opinião da maioria fica em valores entre 20 e 100 mil reais, com alguns alunos apontando absoluta certeza para valores superiores a 100 mil reais. Não são raros aqueles que acham que o valor gira em torno de 500 mil reais.O tema é para o debate.
Feita a discussão entre eles, apresento, para o espanto da imensa maioria, o valor obtido pelo Censo do IBGE de 2000.
Segundo os dados da pesquisa o grupo de 1% dos brasileiros de maior renda recebia valores acima de R$ 2.950,00.Eles não acreditam.
Trabalho com jovens de poder aquisitivo que oscila do médio para o elevado. Alguns tem poder aquisitivo muito elevado. Para eles, o resultado é um choque.
É natural que cada um avalie a própria condição diante dessa informação. No entanto, ao perceber que a maioria se restringe a medir sua posição - tentando se localizar dentro desse estrato social - lanço o dado com outro ponto de vista. Explico que a imensa maioria dos brasileiros ganhava, em 2000, menos que R$2.950,00.
É interessante notar como as expressões mudam. Muitos me perguntam e outros apenas se perguntam:- Como isso é possível?
É quando se atinge esse clima que o dado mais forte encontra seu espaço.
Ao perceber que eles se deram conta da condição de desigualdade em que vive a população brasileira, explico que o mesmo censo de 2000 verificou que aproximadamente 50% da população brasileira vivia com renda de até um salário mínimo.
Quase sempre é impossível conter a conversa, o burburinho. É a força da polêmica.
Quando eles acham que nada podia ser pior, lembro que o valor do salário mínimo em 2000 era de aproximadamente 150 reais. Ou seja: a metade dos brasileiros vivia - ou sobrevivia, eis a conclusão que eles tiram - com apenas 150 reais ou menos do que isso.
O tempo gasto em sala de aula para fazer essa atividade é mínimo. Os resultados são excelentes. Trabalha-se, assim, para o desenvolvimento de uma consciência mais cidadã nos estratos mais elevados da nossa sociedade.
Gostaria de saber como funciona essa pesquisa com alunos que possuem uma realidade social diferente da realidade dos meus alunos. Se você, leitor, é professor e se interessou em reproduzir essa dinâmica, contribua registrando os resultado do seu trabalho aqui nessa janela de comentários. Você não é professor? Fique a vontade para comentar também"
Por Diego Moreira
Agradecimento
Querida Júnia - http://vintageeblog.blogspot.com/ - agradeço a lembrança de indicar o mundinho Cravo e Canela para receber este singelo selo.Emocionada mesmo fiquei com a homenagem ao maravilhoso Patrick Swayze,que agora dança para os anjinhos.Lembrando alguns outros maravilhosos amigos,envio este selo aos blogs:
Victor Alves -http://oblogdovictor.blogspot.com/
De cara no muro - http://decaranomuro.blogspot.com/
Coisas que sei - http://coisassqueeusei.blogspot.com/
Anjos e Guerreiros - http://anjoseguerreiros.blogspot.com/
Comentário importante:Sangria nas escolas públicas do Rio de Janeiro
A valorização do profissional policial brasileiro
1. Vencimentos dignos
Prêmio Betinho - Luta contra a pobreza e pela cidadania
Prêmio de cidadania tem votação on-lineInternautas têm até 16/10 para votar no Prêmio Betinho, que destaca pessoas que lutam contra pobreza e pela cidadania em comunidades
Revelar o rosto e a voz de quem acredita que pode contribuir para um Brasil melhor. Com essa proposta, chega à sua segunda edição o Prêmio Betinho de Atitude Cidadã – cujo nome homenageia o sociólogo Hebert José de Souza (1935 – 1997), responsável por mobilizações sociais na luta contra a fome. A premiação busca, de acordo com a organização “valorizar pessoas que praticam no dia-a-dia a luta contra a fome e a promoção da cidadania”. A divulgação dos vencedores ocorre em dezembro. Os premiados serão definidos por internautas até 16 de outubro – Dia Mundial do Combate à Fome.
Os projetos sociais realizados por cada um dos 93 indicados são descritos no site da organização promotora do prêmio, o COEP (Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida), que agrupa pessoas, empresas, universidades, órgãos governamentais e entidades da sociedade civil. Na lista de indicados, encontram-se realizadores de projetos como apresentações teatrais para crianças de Manaus e o amparo psicológico a portadores do HIV e a seus familiares em Macaé (Rio de Janeiro).
Interessados em votar devem entrar no site do prêmio, informar um endereço de e-mail, nome e cidade onde mora (para evitar que uma pessoa vote mais de uma vez ou influencie na eleição de uma região que não é a sua). Há mais de um mês para o término das votações, mais de 22 mil pessoas já votaram, informa Amélia Medeiros, secretária executiva da rede, lembrando que, em 2008, o prêmio recebeu cerca de 17 mil votos, de internautas de 674 localidades.
Em cada cidade onde o COEP mantém uma sede (há pelo menos uma por Estado) são indicados três nomes ao prêmio. As indicações são feitas pelas entidades e pessoas que participam do conselho deliberativo do COEP local, explica Amélia.
Com apoio do PNUD, a edição 2009 do prêmio foi lançada em 9 de agosto – data da morte de Betinho. “Quando decidimos criar o prêmio, achamos que tinha tudo a ver com ele”, conta Amélia, explicitando a homenagem feita ao sociólogo. Na cerimônia de premiação, inclusive, o troféu entregue aos vencedores é uma escultura baseada em uma caricatura de Betinho, obra do cartunista Ique (conhecido pelos desenhos que publica em grandes jornais e por ser roteirista do programa “Zorra Total”, da Rede Globo).
Mas Amélia gosta de ressaltar: todos os indicados são homenageados pelo prêmio, não apenas os que vencem as eleições. “Não temos preocupação com essa competição”, declara, explicando que o prêmio propõe reconhecer as pessoas “que fazem alguma coisa pelos outros, pela comunidade”. “O objetivo é mobilizar outras pessoas, mostrar que é possível fazer sua parte, incentivar que encontrem seu jeito Betinho de ser, de fazer um país melhor”, acrescenta a secretária.
Mais algumas ótimas palavras no mundo literário...
Luis Fernando Verissimo
Fonte:Jornal O Globo, 13/09/2009
"Leigo" é o nome genérico de quem não está entendendo. Na sua origem "leigo" era sinônimo de "laico", o contrário de "clérigo", um cristão que não pertencia à hierarquia da Igreja.
Com o tempo a palavra passou a identificar quem está por fora de qualquer assunto, e não apenas os eclesiásticos.
O Leigo é mal-informado, ingênuo e simplista. As coisas precisam ser explicadas com muita clareza ao Leigo, e mesmo assim ele custa a compreendê-las.
Ele próprio costuma invocar sua condição e dizer "Sou leigo na matéria" quando se vê diante de um desafio intelectual. Diz muito isto. Porque tudo é um desafio intelectual para o Leigo.
Mas o Leigo nos presta um grande serviço. Como seu raciocínio é simples, ele muitas vezes faz as perguntas óbvias que nós não fazemos para não parecermos simples.
Há anos, por exemplo, não entra na cabeça do Leigo por que as tais "riquezas naturais" brasileiras de que ouvimos faltar desde a escola não enriqueceram o Brasil, ou pelo menos melhoraram a vida da maioria dos brasileiros, que, ao contrário, parece piorar quanto mais as riquezas são extraídas e exportadas.
O Leigo nunca entendeu a venda, que mais pareceu uma doação, da Vale do Rio Doce, como nunca entendeu a campanha antiga e sistemática para desacreditar e doar a Petrobras.
Agora o Leigo — na sua ingenuidade — não está entendendo essa discussão sobre o controle estatal do petróleo do pré-sal e o destino a ser dado ao produto da sua exploração, como se não estivesse na cara o que precisa ser feito.
No plano internacional, o Leigo imagina que, se todo o dinheiro gasto no comércio de armas fosse aplicado em projetos sociais, acabaria a miséria no mundo.
Você e eu, que somos pessoas sofisticadas e por dentro, sabemos que o mundo não funciona assim, com esse altruísmo simétrico. Que se não gastasse com armas o mundo só gastaria em bebida e mulheres.
E essa de que um país com os problemas sociais do Brasil não tem nada que estar comprando submarino atômico só pode ser coisa do Leigo. Bendito Leigo.
DUNGA
No Brasil, como se sabe, ninguém é leigo em futebol. Todos são clérigos, ninguém é laico. Mas os últimos sucessos da seleção criaram uma cisão entre os eclesiásticos com relação ao Dunga. Há os que os fatos obrigaram a aceitá-lo, e os que nada os fará aceitá-lo, muito menos os fatos.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Os países de acordo com as mudanças climáticas
Overdose
Escrevo este “sei lá como chamar” porque, no Brasil, o consumo da maconha já não é crime. Basta ler a Lei Antidrogas. Aquela história dita pelo “não careta” Minc no palco — a Argentina teria uma legislação mais “avançada” do que o Brasil — é só mais uma bobagem dita por este senhor. Uma dentre tantas e tão formidáveis de que ele é capaz. Naquele país, a Corte Suprema tomou uma decisão; aqui, temos lei escrita mesmo. E ela vale, ATENÇÃO, PARA QUALQUER DROGA, NÃO SÓ PARA A MACONHA. Portar qualquer substância — basta ler o artigo 28 — que seja apenas para consumo pessoal não dá cadeia nem processo para ninguém.
Se apóio esta lei? É claro que não! Eu a considero estúpida. Quem consome drogas ilícitas é um elo do crime, do narcotráfico. E ponto final. Se ela está doente e caso se considere em tal condição, então de buscar tratamento. Isso porece ser insuportavelmente reacionário, claro, claro… Nesse caso, estou com Maurício Funes, o esquerdista presidente de El Salvador, que defendeu esta mesma posição em entrevista à VEJA. Seu país, como o Brasil, sofre os efeitos sociais danosos do narcotráfico.
É uma burrice pensar que alguém com a projeção de um Fábio Assunção só se viciou em cocaína porque ela é proibida, o que excita, então, sei lá, a imaginação transgressora, despertando, eventualmente, forças autodestrutivas etc. Essas coisas não são da minha área. Que fiquem para os especialistas nas ciências da psique e do comportamento. Se aquela droga fosse legal, estaríamos diante de um flagelo social, moral, ético e, claro, para a saúde pública. Ignorar que a descriminação levaria a uma explosão de consumo corresponde a negar uma obviedade explicitada pelo consumo das drogas legais.
As pessoas que acreditam que lidar com maconha, cocaína ou qualquer uma das outras drogas ilícitas é coisa tão simples quando amarrar uma blusa à volta da cintura e sair a dizer banalidades ignoram o óbvio: boa parte das drogas lícitas já é, sim, um flagelo social. É o caso do álcool, o principal fator de morte no trânsito; é o caso do tabaco, que mata milhões de pessoas de infarto e câncer. Por que seria diferente com essas outras drogas? Por que elas também não se popularizariam, dado que haveria uma queda brutal do preço? Se, hoje, correndo algum risco, uma parte dos adolescentes ultrapassa o temor de lidar com a bandidagem e compra o fumo, o pó, a pedra, imaginem se isso tudo fosse oferecido livremente na primeira esquina. NÃO HÁ, E GOSTARIA QUE ALGUÉM DESENVOLVESSE, ENTÃO, TESE CONTRÁRIA, UM MISERÁVEL ARGUMENTO QUE NEGUE A LÓGICA DO PROCESSO.
O que toda essa gente esconde de escandaloso é o fato de que já foi crime ser apanhado com droga no Brasil. Deixou de ser desde a lei 11.343, de 23 de agosto de 2006. E nada mudou. Ou melhor: piorou! A situação só se agravou. À medida que o consumidor perde o receio, é evidente que aumenta a demanda dos e pelos fornecedores: os traficantes.
“Ah, mas proibir joga as drogas no colo do crime”. Trata-se de uma argumento boçal na sua simplicidade. Qual é a inferência? Que o sujeito que se dedica ao narcotráfico passaria a ser um trabalhador honesto se a droga fosse legalizada? Ele só vai mudar de ramo. NÃO É A DROGA QUE O TORNA UM CRIMINOSO. Ele decidiu ser um criminoso. A droga é apenas uma ilegalidade à mão. Sem ela, escolheria outra coisa. E como acabar com isso? Bem, eu acredito firmemente no binômio educação-repressão. Dê escola a quem precisa de escola e cadeia a quem precisa de cadeia. Um dos problemas do Brasil é que demagogos das mais variadas colorações deram para achar que esses termos são permutáveis. Sei que isto ofende o idealismo dos engenheiros de gente, que acreditam que o ser humano será sempre bom se o sistema for bom, mas o fato é que há pessoas que gostam de ser criminosas — ser criminoso é uma escolha: no Brasil, na Suécia ou na Dinamarca. A criminalidade varia de acordo com condições objetivas; uma delas é a certeza de punição e ou de impunidade. Também nesse particular suecos e brasileiros vivem realidades distintas, não é?…
E deixo aqui registrado o meu pedido aos defensores da descriminação da maconha: é preciso ter, então, ao menos, a honestidade intelectual de defender a descriminação de todas as drogas. Ou que motivo se vai alegar para manter proibidos a coca, a heroína, o crack e o ecstasy? Ora, não se tratava de uma forma de combater o narcotráfico? Liberando-se só a maconha, um mínimo de raciocínio econômico evidencia que o crime se tornaria mais robusto. Porque a contrapartida da queda do preço da maconha seria a elevação do preço das outras drogas. E ninguém deixa de cheirar pó só porque ele anda pela hora da morte…
Parece que Fernando Grostein Andrade filma os debates que FHC faz aqui e ali sobre a questão das drogas e pretende fazer um documentário. É mesmo? Seria lançado também no ano que vem, junto com Lula, o Filho do Brasil? Seria realmente um momento único para o imaginário popular: o tucano a debater a questão sociológica das drogas etc, e Lula pintando como milagreiro do povo, o advento, o novo Messias.
É muita droga ao mesmo tempo!
Trata-se, definitivamente, de uma overdose!"






