domingo, 15 de março de 2009

E-mail recebido:Carta aberta ao Senhor Arcebispo de Olinda

São Paulo, 08 de março de 2009


Carta aberta ao Senhor Arcebispo de Olinda
(extensiva aos membros da Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil que o apoiaram)

Prezado Senhor,

Escrevo para parabenizá-lo! Não existe nada mais corriqueiro no Brasil do que uma meninade nove anos ser estuprada pelo seu padrasto.

Não bastasse esse ato comum, diria até banal do estupro, que vinha sofrendo desde osseis anos, nada ainda mais NATURAL do que a essa menina, com apenas nove anos, apenas 33quilos e 1,33 m de altura, ficar grávida. E como só a gravidez não fosse suficiente, em dosedupla: gêmeos.

A decisão tomada pela mãe e pela equipe médica que a tendeu é, não só um ATO DEAMOR, como também um ATO DE COMPAIXÂO, COMPREENSÃO E CARIDADE crísticas.

Prezado Senhor Arcebispo, nota-se que o Senhor, como um dos representantes da IgrejaCatólica Apostólica Romana no Brasil, desconhecesse a vida como ela é. Desconhece o significadode um filho. Desconhece as entranhas da vida doméstica de milhares de brasileiros, quediariamente convivem com esse paradigma esdrúxulo. Desconhece aquilo que a Igreja Católicamais prega: o amor incondicional e a compaixão pelo próximo.

Senhor Arcebispo, eu, como representante da intitulada sociedade civil, que vivo a vida real,bem distante dos castelos do imaginário, das torres e das clausuras, das igrejas e de seusdogmas, venho através desta declarar publicamente o meu repúdio pessoal à atitude tomadapelo Senhor, e tornada pública pela mídia: da excomunhão da mãe e da equipe médica querealizou a interrupção dessa gravidez hedionda.

Senhor Arcebispo: a decisão de ter filhos é sobretudo um ato de amor, de escolha, dedecisão adulta, de reflexão sobre todos os aspectos que modificarão para sempre a vida de umamãe e especialmente da mãe.

Não bastante apenas todo os descrito no parágrafo anterior, para ter filhos é necessário tercondição física, emocional, financeira e espiritual para criá-los e orientá-los. Para acompanhá-lose suportá-los nas horas mais difíceis, a fim de torná-los pessoas adultas, responsáveis e dignas.

E por ser um ATO DE AMOR e uma DECISÃO E ESCOLHA INDIVIDUAL, é também direito damulher, e especialmente da mulher, que o carregará em seu ventre e o amamentará no seupeito, decidir e optar pela interrupção ou não de uma gravidez indesejada. De posse desse tipode decisão, parte dos "Brasis" dentro do nosso imenso Brasil teria muito menos fome, miséria,favelas e padrastos sem escrúpulos. Assim poderíamos ter crianças saudáveis, amadas ecompreendidas.

Excomungar a mãe e a equipe médica está muito distante de ser um ato de amor ou decompaixão pelo próximo. Excomungar é apenas julgar através de olhos dogmáticos epreconceituosos de uma religião cada vez mais ultrapassada e distante do mundo atual.

Qual deveria ser a pena, segundo o prisma aqui tratado, que o padrasto, o grande vilãodessa estória sórdida e imunda, deveria receber segundo as mesmas leis pregadas pela IgrejaCatólica, sendo ele o ser que cometeu um crime considerado hediondo e repudiado até mesmopelos criminosos considerados de alta periculosidade? Penitências? Grave pecado? Poupe-nos, atodos, dessa frágil hipocrisia.

Só posso terminar minha carta com uma citação bíblica do Mestre dos mestres: "Perdoai-osSenhor, eles não sabem o que dizem".

Vera A. Reimann

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Lembrei de uma frase que um Coronel de Polícia falou certa vez: JUNTOS SOMOS FORTES!
Obrigada por sua lucidez existir Vera.
Concordo com cada palavra.
Gabriela Gonçalves

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